Sentia fome, mas estava desperto e o caminho lhe era claro. Errar por ele podia, não, era a única opção sustentável. O aroma lhe era familiar, o cheiro das brumas se assomando no horizonte e tudo se tornava mais oblíquo, porém não mais subjetivo do que o real normal das coisas.
Na cadência dessas sensações tudo lhe caía lógico, enquanto os feixes se prolongavam do centro que era o seu íntimo e nadavam: rumo ao mistério? rumo ao amor, não, não se nada rumo ao amor, só nele se cai e se afoga tão somente a pretensão à humanidade que todos os animais conscientes dividem entre si sem saber, tal é o isolamento proporcionado pela faculdade do pensar, julga-se que o indivíduo é a expressão máxima da ação e que sua condição de existência é estar acoplado a um “eu” que renda todos os outros à acessórios.
Sim, nadava, ou melhor cooperava com a correnteza que o tragava pelo córrego que sangrava o nevoeiro com uma matiz de vida tão própria a tudo que é água.
Pensara até pouco atrás no amor, mas o que dele conhecia senão os jogos, os olhos de amante e a intenção última de morte? Morrer em vida, subviver, ria, afinal diante dos desejos - e a vazão se acentuava apesar dos meandros - como eram naturalmente dicotômicas as suas vontades.
Se até então, sozinho, ansiara por transitar por todas as esferas da existências, pelos vales que se configuravam no relevo das emoções, onde o magma é a inconstância da condição humana e, portanto, os acidentes geográficos se dão em velocidade assustadora e as cordilheiras se formam escarpadas mesmo quando cercadas por um deserto nublado pelas neves eternas e os mares se morrem em ondas que não chegam à nenhuma orla, por que essa ambição nova e tão perigosa, por que se subtrair desse conhecimento e se recolher, nem ao menos a si, mas à ausência do caminhar ao estacionar tão abrupto e... por que não molhar os dedos e os lábios na doce atmosfera líquida da vida?
A jusante era próxima e breve se anunciaria o trecho da travessia nas brumas que ele mais temia - e apreciava consequentemente - quando a atmosfera se faria pesada e tudo de etéreo, ele incluso, não mais se dissiparia devido ao seu novo peso e se reconfiguraria em uma nova forma, mas graciosa ou não, isso irrelevante perante sua capacidade para a excelência da sobrevivência.
Lá se apresentariam seus monstros, lá estariam soltos toda volúpia e conspiração que permeavam sua existência e atiçavam o movimento perante aquilo que reluzisse. Ah, e ele só queria ser leve, mas a leveza talvez lhe provasse um encargo digno demais para a sua atual postura hedonista e indulgente para com suas faculdades.
Onde estava o asceta? A faceta de Vênus que era divina? Cairia como máscara, ou crescera outro rosto sobre a mesma? Era contra esse devir que ele lutava, ao profanar o amor, ele visava descer até a morte, e ver a face do ídolo de lábios costurados, cuja cabeça que se projetava do peito, invertida, denunciava-o como um igual aqueles nascidos no lado errado do desejo.
A água agora só lhe chegava até os joelhos e ele tinha sede, mas dessa água não se bebia, pois se disse, independentemente da veracidade disso, que devei se abster de sangue e ele respeitava o plasma da vida, sabia que queimaria sua boca ao sorver o gosto do pecado destilado na língua e o tudo era pintado no limiar do azul com o roxo, num lilás tépido e aguado.
Estava em casa e não mais cansado. Ao mesmo tempo, estava assustado pois as sombras haviam chegado até lá, seguido seus rastros pela água e uma silhueta lhe fitava por entre as cortinas que a névoas, agora tão visível e pesada era um organismo em vida e força. Ele temia, mas sentia um ânimo obsceno lhe tomando conta. Com que garras atacaria aqueles monstros e com quantos dentes que lhe irrompessem por cada osso de seu corpo lhes morderia - até na sua violência ele se tornara um pouco de sexo - e com que gozo comemoraria igualmente seu êxito ou derrota? Qual a glória que maior lhe adviria em vida do que morrer em sonhos assaltados pelas brumas que se tornam contra seu criador no seu momento de maior humanidade?
Desmascarar o real, sua aparente constância e fidelidade a sua natureza de coisa que existe e não comporta nada que também não seja real, sim, além da morte, esse era seu desejo mais recorrente, tanto que não era desejo, era intenção e, portanto, galvanizava, secretamente todas as ações dele rumo à essa meta. Restava saber se morreria Midas em ouro com a querência última fracassada, inerte e paralela à sua experiência e para sempre inalcançável em seus braços inúteis de ouro fúlgido.
As sombras se aproximavam e a silhueta lhe olhava com olhos invisíveis de presa e tudo cheirava a brincadeira de criança e ele estava satisfeito. A névoa se levantou e ele pode ver o que sempre lhe atiçara a curiosidade - por debaixo da névoa só se erguia mas névoa, a verdade não se esconde, ela é clara e então ele só pode estar longe dela. Ele tencionava chegar à verdade fazendo o caminho inverso, mas os monstros desvendaram o mistério da sua repentina decaída, afinal, ele não era um Lúcifer e os olhos não eram ocos.
Não, não lhe deixariam entrar tão facilmente em seus mistérios.
Na cadência dessas sensações tudo lhe caía lógico, enquanto os feixes se prolongavam do centro que era o seu íntimo e nadavam: rumo ao mistério? rumo ao amor, não, não se nada rumo ao amor, só nele se cai e se afoga tão somente a pretensão à humanidade que todos os animais conscientes dividem entre si sem saber, tal é o isolamento proporcionado pela faculdade do pensar, julga-se que o indivíduo é a expressão máxima da ação e que sua condição de existência é estar acoplado a um “eu” que renda todos os outros à acessórios.
Sim, nadava, ou melhor cooperava com a correnteza que o tragava pelo córrego que sangrava o nevoeiro com uma matiz de vida tão própria a tudo que é água.
Pensara até pouco atrás no amor, mas o que dele conhecia senão os jogos, os olhos de amante e a intenção última de morte? Morrer em vida, subviver, ria, afinal diante dos desejos - e a vazão se acentuava apesar dos meandros - como eram naturalmente dicotômicas as suas vontades.
Se até então, sozinho, ansiara por transitar por todas as esferas da existências, pelos vales que se configuravam no relevo das emoções, onde o magma é a inconstância da condição humana e, portanto, os acidentes geográficos se dão em velocidade assustadora e as cordilheiras se formam escarpadas mesmo quando cercadas por um deserto nublado pelas neves eternas e os mares se morrem em ondas que não chegam à nenhuma orla, por que essa ambição nova e tão perigosa, por que se subtrair desse conhecimento e se recolher, nem ao menos a si, mas à ausência do caminhar ao estacionar tão abrupto e... por que não molhar os dedos e os lábios na doce atmosfera líquida da vida?
A jusante era próxima e breve se anunciaria o trecho da travessia nas brumas que ele mais temia - e apreciava consequentemente - quando a atmosfera se faria pesada e tudo de etéreo, ele incluso, não mais se dissiparia devido ao seu novo peso e se reconfiguraria em uma nova forma, mas graciosa ou não, isso irrelevante perante sua capacidade para a excelência da sobrevivência.
Lá se apresentariam seus monstros, lá estariam soltos toda volúpia e conspiração que permeavam sua existência e atiçavam o movimento perante aquilo que reluzisse. Ah, e ele só queria ser leve, mas a leveza talvez lhe provasse um encargo digno demais para a sua atual postura hedonista e indulgente para com suas faculdades.
Onde estava o asceta? A faceta de Vênus que era divina? Cairia como máscara, ou crescera outro rosto sobre a mesma? Era contra esse devir que ele lutava, ao profanar o amor, ele visava descer até a morte, e ver a face do ídolo de lábios costurados, cuja cabeça que se projetava do peito, invertida, denunciava-o como um igual aqueles nascidos no lado errado do desejo.
A água agora só lhe chegava até os joelhos e ele tinha sede, mas dessa água não se bebia, pois se disse, independentemente da veracidade disso, que devei se abster de sangue e ele respeitava o plasma da vida, sabia que queimaria sua boca ao sorver o gosto do pecado destilado na língua e o tudo era pintado no limiar do azul com o roxo, num lilás tépido e aguado.
Estava em casa e não mais cansado. Ao mesmo tempo, estava assustado pois as sombras haviam chegado até lá, seguido seus rastros pela água e uma silhueta lhe fitava por entre as cortinas que a névoas, agora tão visível e pesada era um organismo em vida e força. Ele temia, mas sentia um ânimo obsceno lhe tomando conta. Com que garras atacaria aqueles monstros e com quantos dentes que lhe irrompessem por cada osso de seu corpo lhes morderia - até na sua violência ele se tornara um pouco de sexo - e com que gozo comemoraria igualmente seu êxito ou derrota? Qual a glória que maior lhe adviria em vida do que morrer em sonhos assaltados pelas brumas que se tornam contra seu criador no seu momento de maior humanidade?
Desmascarar o real, sua aparente constância e fidelidade a sua natureza de coisa que existe e não comporta nada que também não seja real, sim, além da morte, esse era seu desejo mais recorrente, tanto que não era desejo, era intenção e, portanto, galvanizava, secretamente todas as ações dele rumo à essa meta. Restava saber se morreria Midas em ouro com a querência última fracassada, inerte e paralela à sua experiência e para sempre inalcançável em seus braços inúteis de ouro fúlgido.
As sombras se aproximavam e a silhueta lhe olhava com olhos invisíveis de presa e tudo cheirava a brincadeira de criança e ele estava satisfeito. A névoa se levantou e ele pode ver o que sempre lhe atiçara a curiosidade - por debaixo da névoa só se erguia mas névoa, a verdade não se esconde, ela é clara e então ele só pode estar longe dela. Ele tencionava chegar à verdade fazendo o caminho inverso, mas os monstros desvendaram o mistério da sua repentina decaída, afinal, ele não era um Lúcifer e os olhos não eram ocos.
Não, não lhe deixariam entrar tão facilmente em seus mistérios.
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