Não sei o que é isso, sério, mas juro que não estava sob nenhuma influência psicotrópica.
----
Não, não nasci nas sombras. Sou réu culpado, cativo da corte das Maravilhas e dos Prazeres e seu mau juízo que conflagra a verdade de mim - forasteiro! - e me prende ao mundo que chamam de real, sem ter a decência de continuar a me açoitar as costas.
Seria bondade demais para eles. Apenas um par, uma dezena, uma centena ao acaso, arrítmica e claudicante. Nem mesmo na dor que me infligem encontro o refúgio da certeza, se ao menos soubesse, ou melhor, ao menos se tivesse fé - que se explodam os homens, nigromantes da ciência e das artes, o maior invento humano é a fé redentora de que há um fim, e de que se deve rezar a Morte como a maior das divindades - que existir era a dor, a submissão, a resignação ao que me é incômodo.
Ser incômodo, torto, se contorcer para poder caber e pertencer e ter as costas nuas quentes e maculadas por outro que não um homem, e portanto ascender ao divino - divina dor - seria um alívio.
Mas me mantém refém toda a corja dos levianos. Me seduzem. Me seduzam, por favor, não parem, mas acima de tudo não me ouçam. (Eu não quero ser entendido).
Cada emoção, cada querência, cada ato, é uma cor infernal que explode em enxofre e som que ninguém mais nota não sentir além de mim. O amarelo é estrépito e plástico queimada, correr é azul e fritura, e fazer amor é cinza e têm - com acento pois tal arte se dá em vários - olor de felicidade furtada. Explode essa merda de mundo num caleidoscópio de cores, numa cornucópia de pródigo bacanal sensorial até que se tenha a gana última - a de cobiçar o ato de querer parar - e cristaliza-se o homem em eterna vítima, pois sendo no homem a busca, qualidade inata, ele se torna um filme de si mesmo.
Porque tudo é um filme. Sim, não há Deus, nem beleza, só filmes. Por isso os odeio.
Tudo já aconteceu por que algum algum dia teve de começar e começar é a ação mais terrível que se pode ensaiar. O começo domina as circunstâncias que o origina e tal qual temido infante cruel, toma para si tudo que pode dos fins que já se acabaram, pois sequer começaram - tinham muita consideração para com a realidade para que quisessem fazê-la acontecer - e dá a falsa impressão que se descortina continuamente. Mentira!
Eu sei, por isso estou preso. Saber me prende no granito e me talha no mármore e me rouba da água que sou e não posso verter. Não chovo, só choro e continua impune o começo a não continuar. Olhai bem para ele e verás que ele já se findou em si sem ao menos acontecer.
Nada principia ou acaba, apenas divide com realidade o fato de que o terrível há, e o é com deleitável vilania.
As ilusões de um mundo que não eu me cercam e me afagam, querendo me domar, querendo que eu queira. Eu quero vencer e portanto já perdi, me perdi de mim.
Cortado do meu caule, do meu gérmen, que se perde e esvai nas ondas dos dias rumo a diferentes praias da orla dos anos, sinto-me sozinho nessa miséria particapada e compartilhada com cada ser vivo que como eu anseia por viver da placenta do mundo e por luxúria comer de sua terra como se da carne do mais servil amante, eu me orientei em minha própria trilha errante rumo às brumas.
Volátil é o éter e mais ainda as emoções que pulsam o plasma para o meu coração - cada pulsação é uma prova de amor do além que me diz, a toda contração, toando o dístico “Ainda/Vives” - que ódio da misericórdia, onde estão as graças mesquinhas. Sim em brumas eu me perdi e só conservo a visão, pois dos sentidos é o único de que não me valho para caminhar entre as sombras de mim mesmos e dos gases rarefeitos que compõem o genoma das experiências - inflamáveis por excelência.
Mas mesmo em brumas, eu permaneço tonto pois o mundo ainda gira só para mim e para me espreitar a toda e qualquer alegria que roubo dele, pois eu não sei do segredo - e por favor não o conte para mim. O segredo, eu o sei no dizer dos homens, dos bichos e das cores, mas não na língua que gosto de atribuir aos anjos e as águas e a tudo mais que não adveio da primordial estática - eu sou o mundo em toda sua essência que escorre pecaminosa pelo ralo, desejosa da fonte.
Então, com muita simplicidade eu lhe pergunto, me amas? Se me amas, não ouse me salvar de mim mesmo, pois eu me amo muito mais do que jamais poderíais. Não existes. Eu menos ainda, sou negativo, sou elétron. Eu não estou aqui, eu nunca estive aqui.
Eco nas brumas, preso entre meu dentes. Eco. Porque eu posso. Eco. Porque amo. Eco. Venci.
Seria bondade demais para eles. Apenas um par, uma dezena, uma centena ao acaso, arrítmica e claudicante. Nem mesmo na dor que me infligem encontro o refúgio da certeza, se ao menos soubesse, ou melhor, ao menos se tivesse fé - que se explodam os homens, nigromantes da ciência e das artes, o maior invento humano é a fé redentora de que há um fim, e de que se deve rezar a Morte como a maior das divindades - que existir era a dor, a submissão, a resignação ao que me é incômodo.
Ser incômodo, torto, se contorcer para poder caber e pertencer e ter as costas nuas quentes e maculadas por outro que não um homem, e portanto ascender ao divino - divina dor - seria um alívio.
Mas me mantém refém toda a corja dos levianos. Me seduzem. Me seduzam, por favor, não parem, mas acima de tudo não me ouçam. (Eu não quero ser entendido).
Cada emoção, cada querência, cada ato, é uma cor infernal que explode em enxofre e som que ninguém mais nota não sentir além de mim. O amarelo é estrépito e plástico queimada, correr é azul e fritura, e fazer amor é cinza e têm - com acento pois tal arte se dá em vários - olor de felicidade furtada. Explode essa merda de mundo num caleidoscópio de cores, numa cornucópia de pródigo bacanal sensorial até que se tenha a gana última - a de cobiçar o ato de querer parar - e cristaliza-se o homem em eterna vítima, pois sendo no homem a busca, qualidade inata, ele se torna um filme de si mesmo.
Porque tudo é um filme. Sim, não há Deus, nem beleza, só filmes. Por isso os odeio.
Tudo já aconteceu por que algum algum dia teve de começar e começar é a ação mais terrível que se pode ensaiar. O começo domina as circunstâncias que o origina e tal qual temido infante cruel, toma para si tudo que pode dos fins que já se acabaram, pois sequer começaram - tinham muita consideração para com a realidade para que quisessem fazê-la acontecer - e dá a falsa impressão que se descortina continuamente. Mentira!
Eu sei, por isso estou preso. Saber me prende no granito e me talha no mármore e me rouba da água que sou e não posso verter. Não chovo, só choro e continua impune o começo a não continuar. Olhai bem para ele e verás que ele já se findou em si sem ao menos acontecer.
Nada principia ou acaba, apenas divide com realidade o fato de que o terrível há, e o é com deleitável vilania.
As ilusões de um mundo que não eu me cercam e me afagam, querendo me domar, querendo que eu queira. Eu quero vencer e portanto já perdi, me perdi de mim.
Cortado do meu caule, do meu gérmen, que se perde e esvai nas ondas dos dias rumo a diferentes praias da orla dos anos, sinto-me sozinho nessa miséria particapada e compartilhada com cada ser vivo que como eu anseia por viver da placenta do mundo e por luxúria comer de sua terra como se da carne do mais servil amante, eu me orientei em minha própria trilha errante rumo às brumas.
Volátil é o éter e mais ainda as emoções que pulsam o plasma para o meu coração - cada pulsação é uma prova de amor do além que me diz, a toda contração, toando o dístico “Ainda/Vives” - que ódio da misericórdia, onde estão as graças mesquinhas. Sim em brumas eu me perdi e só conservo a visão, pois dos sentidos é o único de que não me valho para caminhar entre as sombras de mim mesmos e dos gases rarefeitos que compõem o genoma das experiências - inflamáveis por excelência.
Mas mesmo em brumas, eu permaneço tonto pois o mundo ainda gira só para mim e para me espreitar a toda e qualquer alegria que roubo dele, pois eu não sei do segredo - e por favor não o conte para mim. O segredo, eu o sei no dizer dos homens, dos bichos e das cores, mas não na língua que gosto de atribuir aos anjos e as águas e a tudo mais que não adveio da primordial estática - eu sou o mundo em toda sua essência que escorre pecaminosa pelo ralo, desejosa da fonte.
Então, com muita simplicidade eu lhe pergunto, me amas? Se me amas, não ouse me salvar de mim mesmo, pois eu me amo muito mais do que jamais poderíais. Não existes. Eu menos ainda, sou negativo, sou elétron. Eu não estou aqui, eu nunca estive aqui.
Eco nas brumas, preso entre meu dentes. Eco. Porque eu posso. Eco. Porque amo. Eco. Venci.
Nenhum comentário:
Postar um comentário